terça-feira, 30 de agosto de 2011

AMOR E SAUDADE






Pediram-me para arrazoar acerca de alguns dos meus amores.
Na infância, somos amantes da vida, e é normal que se ame o mundo inteiro. Na adolescência, é normal que se odeie ele todo. Na vida adulta, amamos o que restou. Falar do que amo é falar das minhas saudades, e, falar das minhas esperanças. Esperança é o ponto simétrico da saudade.
Alguém perguntaria: e o presente? O presente para um peregrino é isso mesmo: saudades e esperanças.
De alguma forma, tenho me tornado um pessimista – mas não se apresse em entender isso. Já explico. Eu sou uma espécie de meio calvinista, calvinista firme em apenas um dos seus pontos: sua antropologia. O homem enquanto pecaminoso, mau, extraviado de Deus. E a Queda em todos seus efeitos: espirituais, naturais e sociais.
E, se entendo bem a Bíblia, o homem de fé não finca raízes enquanto caminha. Ele está em movimento. Vive pela fé. Está fora do lar. É um peregrino.
É nesse sentido que me considero um pessimista. Há coisas demais fora do lugar, há uma ordem do mal no mundo, que por vezes, parece incontrolável, e irremediável. E há dores demais para conciliar tal fato em alguma visão bon vivant da vida.
Não! A vida tem seus dissabores, e deixa-nos o seu gosto amargo. Não é confortável estar fora de casa.
Hoje pela manhã eu passei por uma pessoa na cadeira de rodas, com muitas deformações. Num mundo assim, onde achar esse otimismo todo?
Portanto, falar do que amo é falar de saudades e esperanças. Falar daquilo que meu espírito diz SIM ou NÃO. Da lembrança que me consola e motiva. E da esperança que renova, e me move.
A saudade é o grande teste do amor, do apego, do valor, da importância. Para falar sobre meus amores, tenho que pensar! Pesar! É estranho avaliar o porquê dos nossos amores. O amor é sem causas explicáveis. O Drummond bem intitula um dos seus poemas: “As sem-razões do amor”.
Não escolho meus amores. Não sei explicá-los. “Eu te amo porque te amo” - escreve Drummond. Não sei sequer listá-los. Mas saberia melhor falar a respeito das minhas saudades. Daquilo que minha alma amou, e que meu espírito aprovou. Ah, e seriam muitas as saudades! É fácil notá-la, exilado que sou. É no exílio que se diz: “Minha terra tem primores, que tais não encontro eu cá”. A lista é sem fim: “Sabiás”, “palmeiras”, “bosques” - o que for, tudo é único: gostos, formas, lugares, pessoas.
O que resta a um peregrino senão se apegar em suas lembranças e esperanças? E como não seria isso, objeto do seu amor? Ademais, tudo o que coopera com o seu retorno é digno do seu amor, e, tudo o que o retarda ou impede, igualmente, digna é de sua reprovação.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MANSOS EM GUERRA

 

Mansos em guerra 

Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.
Mateus 10.34  


Leia Mateus 5...


O C. S. Lewis descreve o cenário: o universo está em guerra – diz. Para ele, o modo contracultural dos cristãos viverem é algo como uma INVASÃO:

“Um território ocupado pelo inimigo — assim é este mundo. O cristianismo é a história de como o rei por direito desembarcou disfarçado em sua terra e nos cha­ma a tomar parte numa grande campanha de sabota­gem”.  

Nessa guerra, nós “batalhamos” ao modo do rei. É o modo dEle – a cultura com a qual atacamos os valores culturais vigentes. Cristo é o paradigma do Reino de Deus. É o padrão com o qual, nos esforçando para atingir, vivemos na contramão.

Os “soldados” cristãos têm entre seus requisitos o espírito ensinável dos mansos, o espírito sem recursos em si mesmo dos pobres, a sensibilidade e o protesto das lágrimas, o coração que reflete a misericórdia tal qual a recebe de Deus.

Eles estão dispostos a vencer o “mundo” com a sua fé...

Onde no mundo há ansiedades, eles confiam.
Onde no mundo há, no máximo, reciprocidade, eles quebram o ciclo: amam os que não são dignos.
Onde no mundo, só os fortes sobrevivem, eles são a força do outro.
Onde no mundo, os fracos são excluídos, eles vêem na “fraqueza” da Cruz braços suficientes para sustentar o mundo inteiro.
Onde no mundo há desavenças e divisões, eles constroem pontes, são ministros da Reconciliação.
Onde no mundo há violência, eles são os filhos da Paz.
Onde no mundo há dissabores e dissolução, eles são sal.
Onde no mundo há encobrimentos, eles são luz.
Onde no mundo há holofotes, eles são anônimos.
Onde no mundo, há vaidades: do sucesso, da realização, da felicidade, eles se alegram por terem seus nomes escritos no Livro da Vida.
Onde no mundo há busca por poder, eles vencem por baixo, pela humildade.
Onde no mundo há busca por reconhecimento, eles se recolhem.
Onde no mundo há busca por títulos, por distinções, por proeminência, eles se misturam, desaparecem como sal, e investem uns nos outros, são entregues, são servos, consideram o outro superior.
Onde no mundo o bem virou marketing pessoal, eles dão, sem que à mão esquerda saiba da direta.
Onde no mundo há avareza, ganância, usura, eles são solidários, generosos, esquecidos de si mesmos.
Onde no mundo há auto-suficiência, eles são, em si mesmo, necessitados. Carecem de ajuda, são pobres de espírito.
Onde no mundo, tudo é tragédia, vazio, e sem significado, eles se alegram na esperança da vida Eterna.

Não, eles não são do mundo (João 17.16). Entre eles não é assim (Marcos 10.43). Eles são de outro espírito (Lucas 9.55).

São pacíficos, mas estão em guerra!
São humildes, mansos, submissos, obedientes! Mas fazem parte de uma subversão!
Têm fome, e levam e distribuem um Pão.
São injustiçados, mas julgarão o mundo.

Como “soldados” de Cristo, vencem à Sua maneira: levam sobre si – a sua arma, a sua própria cruz. A cruz é o desfile de vitória do soldado cristão:

“... e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. (Colossenses 2.15)

A cruz é o modo do rei, a sua maneira de lutar, de combater, de ganhar!

A cruz é o emblema da nossa guerra.

Quem se alista para esse “exército”?

Pensei ter as respostas… (José - Rei dos Sonhos)



TU ÉS O MEU SENHOR

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Pensei saber demais
Pensei ter as respostas
Mas tudo o que eu fiz por mim
Só trouxe solidão
Então me revoltei
Tentei lutar contigo
E quando enfim eu desisti
Me deste tua mão

Tu és o meu senhor
Vais me guiar
Só vivo com o teu amor
Tu és o meu senhor

Quiseste me provar
Mas não deu o motivo
Talvez não possa compreender
Não saiba te ouvir
Mas em qualquer lugar
A fé não me abandona
E sei que posso renascer
Se confiar em ti
Pois tu és o meu senhor
Vais me guiar
Eu só vivo com o teu amor
Tu és o meu senhor

Olhei pro sol e quis também brilhar
Olhei para águia e tentei segui-la
Mas é por ti que a águia quer voar
Se eu for contigo eu consigo
Pois tu és o meu senhor
Vais me guiar
Só vivo com o teu amor
Virás comigo aonde eu for
Tu és o meu senhor


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Estou Lendo... A BOLSA E A VIDA




Estou Lendo...


A BOLSA E A VIDA - Economia e religião na Idade Média, Jacques Le Goff


Trechos


A usura. Que fenômeno oferece, mais do que este, durante sete séculos no Ocidente, do século XII ao XIX, uma mistura tão explosiva de economia e de religião, de dinheiro e de salvação — expressão de uma longa Idade Média...

***

A formidável polêmica em torno da usura constitui de certo modo "o parto do capitalismo".

***

Num mundo em que o dinheiro (nummus em latim, demer em francês) é "Deus", em que "o dinheiro é vencedor, o dinheiro é rei, o dinheiro é soberano (Nummus vincit, nummus regnat, nummus imperat)"; em que a avaritia, a "cupidez", pecado burguês de quem a usura é mais ou menos a filha, destrona, na hierarquia dos sete pecados capitais, a superbia, o "orgulho", pecado feudal...

***

Como uma religião que opõe tradicionalmente Deus e o dinheiro, poderia justificar a riqueza, sobretudo a riqueza mal adquirida?

***

Para salvar-se será preciso separar-se da bolsa, ou encontrará, encontrarão para ele, o meio de guardar a bolsa e a vida eterna?



PERSUASÕES Evangélicas: John Charles Ryle



A Fé Evangélica II[1]


III. PERSUASÕES Evangélicas

1. Substitua Cristo por qualquer coisa, e o Evangelho está totalmente estragado!

2. Adicione qualquer coisa a Cristo, e o Evangelho deixa de ser um Evangelho puro!

3. Coloque qualquer coisa entre os homens e Cristo, e os homens irão negligenciar a Cristo por aquilo que foi colocado!

4. Destrua as proporções do Evangelho de Cristo, e você arruinará sua eficácia!

5. A religião Evangélica deve ser o Evangelho, todo o Evangelho e nada além do Evangelho.





[1] A Religião Evangélica - Quatro pontos cardeais. Manifesto escrito por John Charles Ryle - 1º Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra de Liverpool.

PROTESTOS Evangélicos: John Charles Ryle







A Fé Evangélica I[1]


II. PROTESTOS Evangélicos

2. Nós nos recusamos a admitir que Ministros Cristãos sejam, em qualquer sentido, sacerdotes que sacrificam.

Percebemos que sacerdotismo tem sido freqüentemente a maldição da cristandade, e a ruína da verdadeira religião.
 




[1] A Religião Evangélica - Quatro pontos cardeais. Manifesto escrito por John Charles Ryle - 1º Bispo da Diocese da Igreja da Inglaterra de Liverpool.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Batalha Espiritual DESCOMPLICADA





Como, então, vencer as forças do mal?

Ah, simples: batalhando contra elas.
E como se dá essa batalha?
Com armas, claro.
Que tipo de armas? Armas humanas? Alguma técnica?
Não, armas espirituais! Veja Efésios 6.13-18:

Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inaba­láveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.

Em suma, essas são as “armas”: a fé, a verdade, a justiça, a oração, a salvação, a Palavra de Deus, etc.

Então, a “batalha” espiritual não se faz com:
- técnicas
- palavras mágicas
- frases místicas ou chavões
- com informações secretas recolhidas dos demônios em suas manifestações
- estratégias importadas de outra religião
- mapeamentos, investigações
- caçando demônios
- com objetos mágicos, imantados...
- com fórmulas ocultas
- com ordens/orações dirigidas ao demônio... como é isso de orar ao demônio?!

Nada disso! Tais práticas são mais propriamente pagãs.
 
Como então, usamos as armas espirituais? E como se “usa”, por exemplo, as armas de Efésios?
Observe cuidadosa­mente a natureza do arsenal. Ela aponta para o ser. A questão aqui é o caráter pessoal.
Essa é toda a batalha espiritual, e o cristão a luta sendo cristão.
Usar as armas de Efésios não é outra coisa senão:
Orar [a Deus, unicamente!], crer, procurar ser justo e promotor da justiça, ouvir, proclamar e praticar a Palavra de Deus, etc.
Ponto?
Ponto.
Leia ainda:

1 - 1 Timóteo 1.18-19: "O filho Timóteo... combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência"

Como se dá o combate? Mantendo a fé e a boa consciência.

Alguma observação final?
Nessa batalha, somos, no máximo, coadjuvantes. Na Cruz, Cristo venceu por nós. Participamos vivendo à luz de seus méritos. E isso é toda a confissão de qualidade evangélica: o que passar disso, é outro evangelho.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

TRECHOS: Confissões de Agostinho




O Hortênsio de Cícero

Entre essa gente estudava eu, em tão tenra idade, os livros da eloqüência, na qual desejava sobressair com o fim condenável e vão de satisfazer à vaidade humana. Mas, seguindo o programa usado no ensino desses estudos, cheguei a um livro de Cícero, cuja linguagem, mais do que seu conteúdo, quase todos admiram. Esse livro contém uma exortação à filosofia, e se chama Hortênsio. Esse livro mudou meus sentimentos, e transferiu para Ti, Senhor, minhas súplicas, e fez com que mudassem meus votos e desejos. Subitamente, tornou-se vil a meus olhos toda vã esperança, e com incrível ardor de meu coração suspirava pela sabedoria imortal, e comecei a me reerguer para voltar a ti. Não era para limar a linguagem – aperfeiçoamento que, parece, eu compraria com o dinheiro de minha mãe, naquela idade de meus dezenove anos, fazendo dois que morrera meu pai – não era, repito, para limar o estilo que eu me dedicava à leitura daquele livro, nem era seu estilo o que a ela me incitava, mas o que ele dizia.
Como ardia, meu Deus, como ardia meus desejos de voar para Ti das coisas terrenas, sem que eu soubesse o que obravas em mim! Porque em Ti está a sabedoria, pela qual aquelas páginas me apaixonavam. Não faltam os que nos iludam servindo-se da filosofia, colocando ou encobrindo seus erros com nome tão grande, tão doce e honesto. Mas quase todos os que assim fizeram em seu tempo e em épocas anteriores, são apontados e refutados nesse livro. Também se encontra ali bem claro aquele salutar aviso de teu Espírito, dado por meio de teu servo bom e piedoso (Paulo): Vede que ninguém vos engane com vãs filosofias e argúcias sedutoras, de acordo com a tradição dos homens e os ensinamentos deste mundo, e não de acordo com Cristo, porque é nele que habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
Mas então – tu bem o sabes, luz de meu coração – eu ainda não conhecia o pensamento de teu Apóstolo. Só me deleitava naquelas palavras de exortação, o fato de me excitarem fortemente, inflamando-me a amar, a buscar, a conquistar, a reter e a abraçar não a esta ou àquela seita, senão à própria Sabedoria, onde quer que estivesse. Só uma coisa me arrefecia tão grande ardor: não ver ali o nome de Cristo. Porque este nome, Senhor, este nome de meu Salvador, teu filho, por tua misericórdia eu o bebera piedosamente com o leite materno, e o conservava, no mais profundo do meu coração, em alto apreço; e assim, tudo quanto fosse escrito sem este nome, por mais verídico, elegante e erudito que fosse, não me arrebatava totalmente.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Como não perder a alma?




Marcos 8.36 - Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Mateus 16.26 - Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?


Lendo apressadamente esse versículo, parece que o importante é não perder a alma, isto é, sem que isso aconteça, não há nada de errado em ganhar o mundo.
Há quem pense que dá pra sustentar os dois: reter a alma e ganhar o mundo.

Só que esse maneirismo da comunicação do nosso Senhor - o exagero, não é mal colocado. Ele freqüentemente usa de imagens grotescas, desproporcionais. Assim, Ele constrói cenas com traves, ciscos e olhos. Camelos e agulhas. E uma peneira que filtra mosca e deixa passar um camelo! 

Esse maneirismo não foi, também aqui, mal colocado. Antes, propositadamente. E de forma mais sutil: ganhar o mundo inteiro. Que alma seria capaz de ganhar o mundo?

Conquanto a alma não seja capaz de ganhar o mundo, cabe na alma humana, a ambição de querer ganhar todo o mundo.

Que alma, se pudesse, não ganharia o mundo? Só consigo pensar naquela que se recusou a pular do pináculo do Templo. E não o fez porque tinha a Cruz em mente: vivia à luz da Cruz, antes mesmo de morrer nela.

Na minha leitura, os textos são paralelos. A matéria do episódio da tentação de Jesus era mesmo esse: em que o mundo era-lhe oferecido.

Mas por que isso seria, para Jesus, uma tentação? Onde estaria o elemento atrativo? O fim, para qual veio, não era mesmo este que estava sendo oferecido – atrair as pessoas? A tentação reside exatamente aí: no meio proposto. E como ele venceu essa tentação? Escolhendo o modo correto: o modo da Cruz. Até o Messias teve sua alma em jogo! E agente só perde a alma por uma alienação consciente e interna: no exemplo, quando a entregamos às ambições.

Ganhar o mundo é, possivelmente, uma tentação mais própria para os corações que começam no bem. É uma tentação para o que traz no peito uma genuína vontade de transformar o mundo. Quanto mais uma alma almeja melhorar o mundo, mais ela pode ter esse tipo de tentação.

"Ganhar o mundo" pralém de qualquer triunfalismo e imperialismo, é, certamente, uma síndrome do Messias. É quando o evangelho conforme o vemos, tem demandas pesadíssimas, desumanas: que tenta ser o 'messias' que o Cristo não foi. Já ouvi um pastor dizer com certa satisfação que passa quase 300 dias no ano fora de casa e longe da família, viajando, pregando. Onde sobra alma num processo desses? Onde a alma de marido? Onde a alma de pai?

O Cristo da Cruz pergunta: que adianta ganhar o mundo todo e perder sua própria alma?

A irrealidade com que Jesus pesa essa ambição - "uma que quer ganhar o mundo" - penso, é para que seu caráter irreal não seja esquecido. Agente não só perde a alma ambicionando ganhar uma coisa grande como o mundo
. O que ele está falando é do interior, do caminho da cobiça, do que almeja ganhar. É do processo. Um processo cujo custo é a própria alma. É como se ele dissesse: os que empreendem ganhar o mundo, não o conquistará, mesmo que o conquiste! O ser que tem o mundo, já não é o mesmo. Ele perdeu a alma no processo. Essa ambição desintegra o ser.

E o que é perder a alma? Ter o ser dissolvido, é perder-se de si mesmo, é perder a identidade mais essencial. A reflexão sugerida é o que é, , por exemplo, para um pastor, perder a alma? E como um pastor, pode vir a perder a alma?

Jesus disse uma coisa: onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração. Nós conhecemos os homens pelas ambições do seu coração.

É muito fácil ter o coração desviado nesses tempos em que os pastores pulam do pináculo do Templo (lembre-se: essa é uma tentação para os bem motivados), isto é, aceitam meios que não são os do Evangelho, aceitam meios que não foram os de Jesus. O Messias fez a escolha eterna: o modo da Cruz. O Rei e Senhor será lembrado, antes de tudo, pelo seu modo.

Agente vence essa tentação seguindo o nosso Senhor, também em sua maneira de caminhar. Tendo o coração atravessado pela Vontade do Pai: um coração na cruz. É bebendo desse mesmo cálice até estarmos fartos e satisfeitos. Vencemos a tentação de transformar pedra em pão, se a nossa comida é fazer a vontade do Pai. Isto é, vencemos se somos realizados no Evangelho!

E como não ser realizado no Evangelho de Jesus? Leia:

Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.

Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas;

E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.

O Rev. Caio Fábio escreveu: “Evangelho é achar o tesouro que nos evangelhos é uma parábola!”.

Portanto, meu irmão, a minha oração mais sincera é que seu tesouro esteja no Evangelho! Realizado em Deus. Preenchido pelas ambições certas: àquelas, que, por exemplo, orando no secreto, espera do Pai uma recompensa.

Olha o que Paulo diz: "homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento". Perceba: o signo do lucro e da recompensa do evangelho é diferente, é de uma outra natureza. Pois é como a natureza do Recompensador: não atrai mercenários. A torta do céu não é uma torta muito cobiçada pelos homens.

Na direção daquela coroa incorruptível, corra como se só um alcançasse. Como se só um fosse ouvir: servo bom e fiel. E esta é mesmo uma "corrida" que se corre permanecendo fiel. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

This is Discipleship - O que é ser verdadeiramente um discípulo e igreja

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Ontem eu Te vi (Adrián Romero)


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Ayer Te Ví*
(Jesús Adrian Romero)

Ayer te vi, fue más claro que la luna,
[Ontem eu te vi, foi mais claro que a lua]

En mi no quedaron dudas, fue una clara aparición,
[Em mim não há dúvidas, foi uma clara aparição]

Me ha saltado el corazón, cuando te vi.
[Meu coração disparou quando eu te vi]

Ayer te vi, después de buscarte tanto, antes de salir el sol,
[Ontem eu te vi, depois de tanto buscar, antes de sair o sol]

Y pedirte que me dejes, ver tu rostro en oración,
[E pedir-te que me deixes, ver teu rosto em oração]

Ayer te vi.
[Ontem te vi]

Te vi en un niño de la calle, sin un lugar para dormir,
[Eu te vi em uma criança de rua, sem um lugar para dormir]

Te vi en sus manos extendidas, pidiendo pan para vivir,
[Te vi em suas mãos estendidas, pedindo pão para viver]

Te vi en sus ojos suplicantes y en su sonrisa titubeante,
[Te vi em seus olhos suplicantes e em seu sorriso hesitante]

Ayer te vi.
[Ontem te vi]

Te vi en un cuarto de hospital, en soledad te vi llorar,
[Te vi em um quarto de hospital, em solidão te vi chorar]

Te vi en el rostro atribulado, de un enfermo desahuciado,
[Te vi um rosto atribulado,de um enfermo desesperado]

Sin esperanza de vivir, cansado de tanto sufrir,
[Sem esperança de viver, cansado de tanto sofrer]

Ayer te vi.
[Ontem te vi]

Ayer te vi,
[Ontem te vi]

Te disfrazas y te escondes de mi vista, pero ayer te vi, ayer te vi.
[Te disfarças e te escondes de minha vista, mas ontem eu te vi, ontem eu te vi.]

* Tradução minha