segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CIGARRAS III

 

 

Cigarras

Quem nunca leu a fábula da cigarra que fazia da vida uma canção sem fim, a despeito da formiga que fazia do trabalho algo maior que a vida

Veja a história AQUI.

As cigarras desde então me cativaram!

Sim, sei que o objetivo da história era dar uma lição de moral na direção inversa: honrar a formiga e corrigir a cigarra.

Sempre achei essa história muito estranha. Honrar a formiga me parecia uma apologia do empresário que deixava-se sugar pelos negócios. Afinal, para aquela formiga o que valia era o trincar da caixa registradora: mais moeda no caixa! Essa era a sua "música". A sua sobrevivência era a própria vivência.

A cigarra, para mim, é que é a esperta da história. Sem que me desse conta: era com ela que eu me identificava. 

Na cigarra havia uma certa leveza, uma descontração, uma sintonia, uma paz! Eu acrescentaria: uma paz familiar.  

A vivacidade da cigarra ecoava um louvor da criação. Um "muito obrigado" ao Criador.

Pessoas muito sérias, sisudas, se incomodavam com Jesus. Especificamente: com a alegria com que Ele celebrava a existência. Diziam caricaturadamente: "só quer saber de comer e beber...". Mas o fato é que não estavam incomodados com o suposto exagero. Se incomodavam era com a leveza dAquele que se pretendia tão íntimo de Deus. Como resposta, Jesus lhes dizia: "Não estamos sintonizados. Deve-se dançar, quando há música! E vocês não conseguem ouvir a música do Reino que agora do Céu está se fazendo ouvir" (Veja isso em Lucas 7:31...).

Há sintonias e concertos musicais permeando a existência. E, para mim, a cigarra  dessa fábula conseguiu captar isso melhor que a formiga. E não é que a formiga - em seu labor, fosse de toda reprovada.

Mas, ainda assim, as cigarras não deixam de ser muito estranhas! Interessantíssimas, mas estranhas. Mas sabe o que eu acho interessante e paradigmático nesses animais barulhentos? Elas não fazem do canto, algo mais importante do que a vida! Não morrem de tanto cantar, nem cantam para morrer. Mas apenas vêem no cantar a verdadeira vida de cigarra. Para uma cigarra,  morte é o não cantar mais.

Todos nós temos um quê de cigarra - um canto sempre nos lábios. Um ritmo interior que existe para tornar a vida mais alegre, mais divertida, mais dançante.

Realmente, existe uma cigarra em cada um de nós.

“Existe uma cigarra
Em cada um de nós
Cantando, enquanto o outro trabalha.”

Já viu como há um mundo de formigas num só formigueiro?

Já pensou se desse à louca nelas e elas resolvessem cantar?

Feliz de imaginar, quase consigo refazer o Provérbio de Salomão: "vai ter com a cigarra, ó formiga...!"

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