sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A grande falha lógica - só de Calvino?


Segue o texto publicado no Genizah e, logo após, uma pequena interação minha.

Eric Brito


A grande falha lógica de Calvino


Jones F. Mendonça

Lecionar teologia da Reforma me obrigou a ler as Institutas, obra magistral do reformador francês João Calvino. Sua teologia, apresentada em quatro livros e 80 capítulos, é desenvolvida em torno da crença na absoluta soberania divina. Ainda que sua teologia não me agrade, é preciso reconhecer, Calvino é lógico, honesto e coerente em quase tudo o que afirma. Em minha opinião, sua grande falha lógica está aqui:
Onde ouves menção da glória de Deus, aí deves pensar em sua justiça. Ora, o que merece louvor tem de ser justo. Portanto, o homem cai porque assim o ordenou a providência de Deus; no entanto, cai por falha sua. [...] Logo, por sua própria malignidade o homem corrompeu a natureza pura que havia recebido do Senhor, e em sua ruína arrastou consigo à ruína toda a posteridade (As Institutas, Livro III, cap. XXIII, sessão 8)
Para Calvino o homem peca porque Deus assim decretou, mas ainda assim é responsável por seus atos maus. Tal "decreto espantoso" não possui explicação, e não cabe ao homem questioná-lo. Surge uma nova pergunta: e Adão, o primeiro homem, também agiu de acordo com os propósitos divinos? Calvino explica: 
O primeiro homem, pois, caiu porque o Senhor assim julgara ser conveniente. Por que ele assim o julgou nos é oculto. Entretanto, é certo que ele não o julgou de outro modo, senão porque via daí ser, com razão, iluminada a glória de seu nome (As Institutas, Livro III, cap. XXIII, sessão 8).
Para fechar, uma última declaração de Calvino (prepare-se): 
Eu concedo mais: os ladrões e os homicidas, e os demais malfeitores, são instrumentos da divina providênciados quais o próprio Senhor se utiliza para executar os juízos que ele mesmo determinou. Nego, no entanto, que daí se deva permitir-lhes qualquer escusa por seus maus feitos (As Institutas, Livro I, Capítulo XVII, seção 5).

Você entende isso?



Em Numinoson Teologia. Divulgação Genizah



***
Meu comentário


Deixa-me resumir essa questão que vem sendo debatida aqui no genizah: pre-destinação ou auto-destinação.

O que é mais difícil (e ilógico) de conceber:

I - Que tudo o que acontece no mundo é da vontade de Deus 

ou 

II - Que acontece alguma coisa no mundo que não é da vontade de Deus

?

Uma é tão incompreensível quanto à outra. É só pressionar as consequências. Porém somos mais inclinados a perceber a incoerência da pré-destinação. 

Agora - o mais incompreensível ainda é que ambas são sustentadas nas Escrituras.

O caminho humano é não ser absoluto. Assim, é possível dizer que NUM CERTO SENTIDO tudo o que acontece no mundo é vontade de Deus: sequer uma folha cai que não seja da vontade dEle. Ou cai arminiano?

NUM OUTRO SENTIDOhá coisas que acontecem no mundo que não é da vontade de Deus: por isso - seja feita a Sua vontade aqui na terra (porque ela não é) assim como é feita no céu. Ou é calvinista?

Mas não há uma tensão lógica aí? Sim. Mas nossa mente não nos diz que as duas afirmações não podem ser juntamente verdadeiras? Parece que é assim. E aí?

E aí que a leitura deve ser relativa, isto é, condicionada e parcial. Achar que podemos sintetizar isso, é achar que Deus cabe na mente humana.

O problema de Calvino - e mais ainda do calvinismo - é que ele avançou um pouco mais além do permitido. Eles deduzem da veracidade da Bíblia como Revelação de Deus - que a verdade absoluta foi absolutamente revelada. Aqui, acho que Lutero - embora com uma linguagem aparentemente esquizofrênica - foi mais feliz: concebendo na Bíblia, um Deus revelado, mas também um Deus oculto. 

O termo "relativo" é desgastado e pode gerar pré-compreensões errôneas. Faço uso dele, contudo, dou esse aviso e peço esse cuidado.

Falar em relativo quanto à compreensão humana é absolutamente fácil. Mas perceber que o iato existente entre a Revelação das Escrituras e compreensão humana, é relativamente difícil. A presunção das Escrituras enquanto Revelação infalível de Deus é que seja a Verdade Absoluta. Sim! Verdade Absoluta, mas não absolutamente revelada: porque ainda é em parte que conhecemos. O iato e a parcialidade, digamos, "relativiza" a Verdade Absoluta. Em outras palavras: não há conhecimento - por parte do homem - que não (assim expressemos) interaja com sua subjetividade. Ademais, a Verdade Absoluta, revelada à relativos, só poderia ser revelada relativamente. Tanto é que ela é contextual, circunscrita. Histórica. E diz-se na Ortodoxia: um livro divino, mas também um livro humano - com todas as implicações disso.

Ainda assim, Calvino é muito mal compreendido. E ele praticamente reproduz - à sua linguagem mais jurídica, o que Agostinho diz de forma mais exegética. Por isso que ler Agostinho é mais recomendável. Uma vez que é comum ler Calvino com a suspeita de que ele era um semi-escolástico. Com Agostinho, você é colocado mais diretamente sobre a questão do ensino da própria Escritura.

Sobre a contradição indicada nesse artigo, acho uma má compreensão do ensino de Calvino.  

Eric

terça-feira, 22 de novembro de 2011

REFORMA HOJE: O Juízo da Reforma sobre os "apóstolos"





Em uma época como a nossa em que qualquer cristão tem conhecimento do grego, e em que todos possuem e usam as anotações desta luz teológica chamada Erasmo não é necessário explicar o significado do vocábulo grego "apóstolo", exceto aos leitores - não de Erasmo, mas os meus.

Apóstolo, pois, significa o mesmo que "enviado"; e como nos informa São Jerônimo, é um termo ou conceito dos hebreus que no idioma deles é SILAS, isto é, um homem em que se aplica o nome "ENVIADO", do verbo 'enviar'. Assim se lê também em João cap. 9 (v. 7): "Vê e lava-te no tanque de Siloé (que traduzido é, Enviado)"; e Isaías, conhecedor deste significado oculto, disse no cap. 7: "Este povo desejou as águas de Siloé, que correm mansamente". Mas já em Gênesis 49 (v. 10) lemos: "Até que venha Siloh", o que Jerônimo traduziu: "O que deve ser enviado". É à base deste texto que Paulo chama a Cristo "apóstolo", é dizer, um Silas, em sua carta aos Hebreus (He. 3: 1). Também Lucas no livro dos Atos menciona um Silas.

Mais importante que isto tem o fato de que "apóstolo" é um título modesto, mas - coisa que é de admirar- às vezes também elevado e venerável, um nome que expressa notável humildade temperada com grandeza. A humildade em que o apóstolo é um enviado se manifesta em sua relação de dependência, servidão e obediência, e impede que alguém se deixe seduzir por este nome como por um título honorífico, para depositar nele sua confiança e gloriar-se nele. Antes, o apóstolo, pelo mesmo nome de seu ofício como "enviado", deve sentir-se dirigido por aquele que o envia - de quem procede a majestade e proeminência do enviado e servo e faz com que seja recebido com reverência.

Quão distinta é a situação em nossos dias em que os nomes de “apóstolo”, “bispo” e outros chegaram a significar paulatinamente não um serviço mas uma dignidade e autoridade! A tais pessoas Cristo lhe dá, em João 10 (v. 8), o nome oposto: em vez de “enviados” os chama “homens que vieram”, em outras palavras - de forma mais clara ainda, “ladrões e salteadores”, porquanto em lugar de trazer a palavra do que os envia com o encargo de apascentar com ela as ovelhas, não buscam senão seu próprio benefício – e em função do qual sacrificam as ovelhas. “Todos os que vieram", disse Cristo, isto é, todos os que não foram enviados, “são ladrões e salteadores”: O mesmo expressa o apóstolo em Romanos 10 (v. 15): "Como pregarão se não forem enviados?” Em efeito: quem pode pregar a menos que seja um apóstolo (um enviado)? Quem é um apóstolo senão o que traz a palavra de Deus? E quem pode trazer a palavra de Deus senão aquele que tem prestado ouvidos a Deus? Mas ao que vem com ensinos de seu próprio conselho, ou extraído dos filósofos, podemos chamar de apóstolo? De maneira nenhuma, senão que é um homem que vem por conta própria, um ladrão, um salteador, um destruidor e assassino das almas. Em Siloé o cego se lava e recupera a visão (Jn. 9: 7); as água de Siloé são saudáveis, não as águas impetuosas e orgulhosas do rei da Assíria (Is. 8:7).

"Ele (é dizer, Deus) enviou sua palavra, e assim os curou” (Sal. 107: 20). Mas vem o homem com sua própria palavra e faz com que o fluxo de sangue se agrave 2). Isto significa, para dizer com toda clareza: cada vez que se prega a palavra de Deus, esta produz consciências alegres, abertas, tranquilas diante de Deus porque é a palavra boa e doce da graça e da remissão; Por sua vez, cada vez que se prega a palavra de um homem, esta produz uma consciência triste, fechada e temerosa, porque é a palavra da lei, da ira e do pecado, que mostra ao homem tudo o que ele deixou sem fazer e toda a enormidade da dívida que contraiu.

Por isso, desde seu início a igreja jamais se achou em uma situação tão desafortunada como agora, e esta situação piora dia a dia. 


Traduzido para o português por: Eric Brito Cunha

[COMIENTARIOS DE MARTÍN LUTERO - 
CARTA DEL APÓSTOL PABLO A LOS GÁLATAS. 

Traducción al castellano: Erich Sexauer]

terça-feira, 15 de novembro de 2011

III - O CONHECIDO DESCONHECIDO






O Conhecido desconhecido

- o nosso desconhecimento do Conhecido



Deus! Ao dizermos Deus, não sabemos o que dizemos e quem verdadeiramente crê, compreende essa afirmação pois, quem crê ama, como Jó, ao Deus que em sua inacessível altura só pode ser temido [mas não pode ser observado, apalpado ou visto se não pela fé]; quem crê ama, como Lutero, ao Deus ABSCONDITUS.
BARTH

Sabemos que Deus é o Deus que não conhecemos, e que esta ignorância é, simultaneamente, o nosso problema e a origem do nosso conhecimento.
BARTH

“Deixem Deus ser bom”, clamava Erasmo. “Deixem Deus ser Deus”, replicava Lutero.


O Paradoxo da Revelação de Deus em Cristo é esse: totalmente humano – e por isso comunicável, mas também ainda totalmente Deus.
Conquanto ele seja “imagem do Deus invisível”, sobre ele prevêem os profetas: “não se pensará que seja ele ... será uma pedra de escândalo contra a qual muitos se chocarão”.
Conquanto nele habite a plenitude da divindade (Col 2.9), há ainda que se falar em um desconhecimento. Pois, mesmo revelando-se, em parte não O conhecemos (I Co 13.9).
Lutero foi quem falou sobre o Deus Revelatus (Deus revelado) e, a despeito deste, sobre um misterioso Deus, o Deus Absconditus (Deus oculto). “Em algumas passagens ele até fala do Deus Revelado como ainda um Deus Oculto, em vista do fato de que, mesmo através da Sua revelação especial, não podemos conhecê-lo plenamente” (OLSON).
Não a despeito do Mistério, mas em sua consideração é que se considera que talvez não se possa dizer de forma absoluta: não existe o Deus não reconhecido em Jesus.
Este era o problema para Lutero: Deus decide se revelar de modo soberano sob uma forma contrária à Sua[1] (na humanidade de Jesus Cristo). E ainda sobre essa condescendência de Deus em sua auto-revelação, pergunta-se: Como Deus pode ser Deus e passar por tudo isso?

Olson explana bem isso:

“O sentido mais enigmático da qualidade oculta de Deus tem a ver com a afirmação de Lutero de que alguma forma, além da auto-revelação de Deus no evangelho existe um poder misterioso quase totalmente desconhecido pelos seres humanos. Deus se revela em Jesus Cristo como irmão e amigo amoroso e, no evangelho, como graça e misericórdia. No evangelho, Deus é só compaixão e bondade perfeita, sem o menor indício de arbitrariedade ou capricho. Deus está “a nosso favor”. Este é o único lado ou aspecto de Deus do qual devemos nos ocupar. O Deus revelado pelo evangelho opõe-se ao pecado e ao mal e procura vencê-los derrotando o pecado, a morte e Satanás por meio da cruz. Deus a nosso favor no evangelho é a nossa única função na proclamação. Segundo Lutero, devemos dirigir a nossa atenção a esse Deus, que é muito semelhante ao pai disposto a perdoar na parábola de Jesus sobre o filho pródigo.
Ainda que de modo paradoxal, Lutero queria nos avisar que esse não é o único aspecto de Deus. Por trás do Deus que nos espera, com rosto sorridente e braços estendidos, encontra-se o Deus oculto, obscuro, misterioso, com poder para determinar tudo, que é a causa de todas as coisas boas da natureza e da história. Embora essa força divina e obscura tenha pouca relação com a mensagem do evangelho, Lutero a apontava como o contexto necessário para a toda a história. Absolutamente nada pode existir ou acontecer que não faça parte diretamente do plano e causalidade de Deus. Nesse ponto, o monergismo vai além até de Agostinho: “O diabo é o ‘diabo de Deus’”. Deus opera tudo em todos, até mesmo em Satanás e nos ímpios e por meio deles. “Devemos saber, portanto, que, em todo mal que nos acontece, é o próprio Deus que opera por meio de seus instrumentos”. (...) Uma idéia tão terrível como essa parece contrária ao evangelho, mas é inevitável. (...) Sem a menor intenção de esclarecer as contradições aparentes dessa doutrina, Lutero simplesmente falou do aspecto oculto de Deus e conclamou os cristãos a reconhecê-lo, sem deixar de manter o enfoque na auto-revelação de Deus em Cristo”.

É uma inevitável do Paradoxo: e não é tema do evangelho, que é o poder de Deus para Salvação. Nesse contexto, não se pode ser mais categoricamente convincente: quem crê, ama como Jó, ao Deus de Jó. É o que a Fé cristã tem a dizer juntamente com o Judaísmo. E é onde ela estaria, não tivesse o Verbo se feito carne.
Agora, sem negar o Deus Absconditus, é que talvez melhor se entenda a já citada frase do Barth: “Ao falarmos de Deus, nós precisamos imediatamente pensar em Jesus Cristo. Sem o qual Deus seria um outro, um Deus estranho; de acordo com o conhecimento cristão, ele nem seria Deus.” Porque Deus é Absconditus que Jesus é Único Caminho[2].
Ele é o Caminho que, com Deus, chegamos a Deus. E O conhecemos. Subestimar isso, proclamar o Oculto a despeito do Revelado[3], é também um outro modo de não aceitar a graça de Deus em Jesus Cristo. Fé é enxergar na luz que nos foi dada. “As coisas encobertas” – diz as Escrituras, “pertencem ao Senhor nosso Deus”.
O Totalmente Outro é o que se fez conhecido em Jesus. “Quem vê a mim, vê o Pai” - disse Jesus. Retratando-se de seus rigores já não tão necessários, num artigo sobre a humanidade de Deus, Barth escreve: “Quem e o que Deus é, justamente isto, em especial, é o que devemos reconhecer melhor e com mais exatidão na nova reviravolta necessária do pensar e falar evangélico-teológico, olhando retrospectivamente para aquela reviravolta anterior. Entretanto, se hoje quisermos chegar a uma resposta melhor, a nossa pergunta tem que ser: quem e o que é Deus em Jesus Cristo?”. E se propondo a responder, diz “Ele é, muito antes, sua liberdade ... de se impor mas também de se entregar, de ser bem elevado mas também bem baixo, de ser não só todo-poderoso mas também misericórdia onipotente, não só senhor mas também servo, não só juiz mas também, ele próprio, o julgado, o eterno aí do ser humano mas também seu irmão no tempo. Tudo isso sem nada perder de sua divindade! Pelo contrário, tudo isso justamente na maior confirmação e manifestação de sua divindade!”.
A resposta de Jesus é: como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces?

Leia a Parte 1: AQUI!
     Leia a Parte 2: AQUI!



[1] Deus escolhe o que lhe é alheio e até mesmo o que é profano (o abandono de Jesus Cristo por Deus na cruz, porque Jesus levava sobre si os pecados do mundo) para ir de encontro à humanidade.
[2] É porque Ele foi revelado que, sendo Deus – e não sendo completamente comunicável à mente humana, que O sabemos como Absconditus.
[3] Que é o que o Calvinismo faz. Catequizando sobre Este oculto. 

II - O DESCONHECIDO CONHECIDO






O Desconhecido conhecido

– o nosso conhecimento do Desconhecido


Tu Não És Como O Tenho Imaginado

Senhor, é quase meia-noite e estou Te esperando na escuridão e no grande silêncio.
Lamento todos os meus pecados.
Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão, sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com os próprios pensamentos para preencher o vazio da noite na qual espero por Ti.
Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos, a fim de permanecer na doce escuridão da Fé pura.
Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente obscuro para sempre. Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à Tua claridade.
Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o mundo, estender-me em direção aos sentidos infinitos, contidos em Tua paz e Tua glória.
Tua claridade é minha escuridão. Eu não conheço nada de Ti e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para Te conhecer.
Se eu te imaginar, estarei errado.
Se Te compreender, estarei enganado.
Se ficar consciente e certo que Te conheço, serei louco.
A escuridão me basta.

Thomas Merton



O Deus segundo as Escrituras é Aquele que, Livre, utilizou-se da linguagem humana para comunicar-se. Contudo, não está legado à mente humana, em um livro. A revelação precisa ser revelada. A letra mata. Pois sem Revelação, a revelação ainda usa véu. Deus é ativo, revela-se a Si mesmo na e através da Bíblia. E enviou o Seu Filho, que se tornou um de nós. Jesus é a linguagem viva. É o Verbo de Deus na forma humana. É Emanuel, Deus conosco. Ele é a “imagem do Deus invisível”. Entretanto: sem aquela bem aventurança, do Pai que está no céu, e que Se revela (Mateus 16.17), ninguém chegaria aí. Carne e sangue algum, jamais, alcançaria[1].
O Verbo, em algumas situações, chora sua “impotência”. Quem, pois, chorava? Não é o Pai que chora, e sim, o Filho que se tornou homem. O Pai não se limitou, não nasceu entre os homens, não morreu na cruz. É uma sutileza do paradoxo da Revelação de Deus.
Os Calvinistas, comprometidos mais filosoficamente que biblicamente[2], dizem em sua tranqüilidade: foi o Jesus homem que chorava. E a questão acaba aí, na imobilidade de Seu ídolo imóvel e impassível.
Mas tal especulação [sobre o Imutável e o Impassível] não pode ser uma verdade sobre a natureza de Deus? Pode. Quem o saberá? Conquanto a Bíblia afirme a imutabilidade de Deus, de modo algum, Deus se revela como impassível. Esse não é o Emanuel. Aquelas lágrimas (“Jerusalém, Jerusalém” Mateus 23.37), em nome de que filosofia se anulará?
O Deus em Jesus é o Deus que se revela “como quem chora”. É solidário. E ativamente misericordioso. Não há da parte Dele, absolutamente, indiferença alguma. Ele conta até os fios de cabelo de nossa cabeça!
Nas lágrimas de Jesus, conquanto não sabemos se lágrimas de Deus, sabemos que, em lágrimas, Deus comunica Sua compaixão e solidariedade. Sua não Indiferença. Se Deus, o Pai, realmente chora? Essa é uma pergunta da presunção filosófica, a qual Deus não atenta. Deus não alimenta a presunção, ele a desfaz[3]- abatendo os altivos e elevando os humildes.
Esse Deus é achado dos pequeninos, e se esconde dos especuladores. É certo que com especulação ninguém agrada a Deus[4]. Isso só é feito com fé. Ele é achado dos que O buscam de coração. Especulação, contudo, não é o que a Bíblia quer dizer por busca.
O problema do Calvinismo é que não se opôs suficientemente ao escolasticismo, sendo ele mesmo, um de seus filhotes. Herdando a ‘maldição’ lógica de Aristóteles, em nome de uma suposta exaltação do poder de Deus, é que O tornam domesticável e, portanto, fraco. A Bíblia pergunta: quem conheceu a mente do Senhor? Os Calvinistas, com o Livro-Deus aberto, riem com ‘sensação eleita’[5]. Calvinismo é a presunção escolástica escondida por trás de uma Bíblia. Calvinismo é Deus no divã. Psicanalisado, dissecado. É a especulação prevalecendo pela fé. Esse ‘Deus’ é o “Totalmente no Livro”. O “Totalmente na mente”. Não é o “Outro” suficientemente. Não é misterioso suficientemente[6]. Esse é o NÃO-Deus. Como também o é, qualquer “Deus” encontrado. Como o é qualquer outro “fora de Jesus”. Senão veja.
Diz um Calvinista: “O inferno glorifica a Deus. Como? Simples: tudo glorifica a Deus. Tudo. Portanto, o inferno também O glorifica. E devemos nos alegrar com a glória de Deus. Logo, o inferno deve nos alegrar”.
Este, não reconhecível em Jesus, é o ‘Deus’ dos calvinistas.
São assim: duvidam muito pouco de suas deduções. Idolatram a lógica[7]  e, com isso, de uma vez só, superestimam a mente humana, subestima uma de suas doutrinas (Depravação total e, em especial, os efeitos noéticos do pecado), blasfemam da revelação, se mostram filosoficamente escolásticos. Deveriam ouvir isso: “Fora de Jesus, não encontrariam Deus, mas um outro”. E se, verdadeiramente através da Bíblia, não teriam como encontrar um outro senão o Deus em Jesus. Ao qual ninguém vai se não por Jesus. Não há alternativas.
Deus, Deus mesmo, é indomesticável. Dele, não é permitido que se faça qualquer figura ou imagem[8]. Quem alcançaria os Seus pensamentos? Ele não cabe em livros e nem na Lógica. Como diz Kierkegaard: o Deus que se fez homem, totalmente Deus e totalmente humano, é o Paradoxo Absoluto. Lógica alguma alcançaria. Finitude alguma.
Revela-se, contudo, nas Escrituras e em Jesus, por graça, pela fé. Pela fé O conhecemos, mas O conhecemos em parte. Porque vemos em parte. O Deus que se Revela ainda é o Desconhecido. Ou Absconditus. Pascal diz: “Que dizem os profetas de Jesus Cristo? Que ele será evidentemente Deus? Não: mas que ele é um Deus verdadeiramente oculto; que será desconhecido, que não se pensará que seja ele; que será uma pedra de escândalo contra a qual muitos se chocarão, etc”.
Aprouve a Deus, o “Eu Sou o que Sou”, ser também o “Deus de Jacó, de Isaac, de Abraão”. Ele, certamente, é o Deus de Abraão, mas o é sendo também “um Outro”. Deus não é apenas como se revela, mas é ao que Ele revela sobre Si, que temos que nos apegar. Isso é Fé, a que especulação alguma deve ser acrescentada, sob pena construir um ídolo. “O Deus eterno deve ser conhecido em Jesus Cristo e não em outro lugar” (Barth).
Calvino cita: “as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que observemos todas as palavras desta lei”. Mas não soube ele, dos limites dessa fronteira. Andou muito calmamente em terrenos proibidos. Persiste a advertência do Barth: “e não em outro lugar”[9]. E da própria Escritura: “as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus”.
A Bíblia não é serva do dogma. E não se equivalem. “Nós não somos os juízes da fé, mas os servos felizes” - relembra Moltmann. A Bíblia não é a planta, enviada por Deus, para a construção da torre até o céu. Ela não é a legitimidade ou permissão para se construir tal torre. Antes, é o atestado definitivo de tal impossibilidade.
Outra relação com Deus que não aquela do caminho de Jó, não existe. Jó que conhecia Deus[10]; conhecendo-O mais ainda, conhecia-O como Desconhecido: Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem.

Leia a Parte 1: AQUI!
Leia a Parte 3: AQUI!


[1] Mesmo com o Livro em mãos.
[2] Embora se pretendam biblicamente (até reivindicam exclusividade).
[3] Ver Jó 38.
[4] Novamente: Mesmo aqueles com Bíblia na mão.
[5] Chegam ao ponto de ficarem à vontade para “decidirem” quais os primeiros decretos de Deus.
[6] Estou cônscio de que Calvino escreveu sobre isso.
[7] Sentem-se irresponsavelmente livres para dizer que: No Princípio era a Lógica. E a Lógica estava com Deus. E a Lógica era Deus. Outro diz: a lógica, logicamente, precede Deus.
[8] Êxodo 20.4.
[9] Citação completa acima.
[10] Ver o que é dito dele pelo próprio Deus – Jó 1.8.

I - DEUS, O OUTRO



                                                              
Não existe isso de “o Deus dos cristãos”. O que há é Deus. Ele não é um Deus entre outros. Só há um. Ninguém jamais O viu. Dele não se pode fazer imagem. Ele fala, Ele revela-se: o fez nas Escrituras e em Jesus Cristo. Revelando-se, ainda permanece oculto. De modo que, quando não de todo, em parte não O conhecemos (I Co 13.9).
Mas entre os homens, há muitas imagens de Deus. Deus feitura: um ídolo. Um ídolo religioso ainda é um ídolo. E um ídolo filosófico – é preciso que se diga - é também um ídolo. Ídolo: feitura de mãos; ídolo: imaginado na mente. Ídolo!
O homem está preso ao homem. E dele não sai nada que não seja homem, isto é, pecado. É certo que do homem, não se pode chegar a Deus. Do homem, chega-se apenas ao homem, isto é, ao ídolo. Especular sobre o Outro é, por conseguinte, já pecar.
Deus é o Deus nas alturas, o Altíssimo. O Outro, inteira e Totalmente. E assim permaneceria se não fosse o Soberano da Graça. Não revelar-se, diria Kierkegaard, é a morte do amor.
Ele, Deus, é Altíssimo. Torre alguma da pretensão humana - filosófica, religiosa ou científica - jamais chegaria até Ele. Ele é o Caminho a Ele. E é O que quis se aproximar. É o Deus que se revela. “Deus conforme a Revelação cristã” – Esse Revelado nas Escrituras e em Jesus Cristo. A Este, não se chega por filosofia, e nem se poderia fazê-lo. A fé cristã O recebe. Ela não especula. Entende que sobre Esse Revelado, ou se aceita ou não. E é, ela mesma, o caminho do Caminho[1].
Em Cristo, nas Escrituras, pelo Espírito - conhecemos o Desconhecido. Mas a Filosofia desconhece o Desconhecido. Desconhece O quanto dEle desconhece: e é assim que está destinada a produzir ídolos - ainda que os chamem de “Deus”.
“Sabemos que Deus é o Deus que não conhecemos, e que esta ignorância é, simultaneamente, o nosso problema e a origem do nosso conhecimento” – diz Barth. Mas o contrário é o que poderia ser dito da Filosofia: a ignorância de saber que Deus é o Deus que não conhecemos é que é a própria Ignorância.
A Fé não se sujeita a Filosofia tão quanto o “Deus conforme a Revelação cristã” não está para ser explicado filosoficamente. Permaneça Deus, pois, para os gregos, como loucura. Um tanto mais – e originalmente, quanto estes empreendem devolver o pejorativo “loucura”.
Não há o que barganhar: não há trocas; a Fé, em nada, seria acrescentada. Não há explicações a serem dadas (não nos termos da Filosofia[2]). A fé é tanto Fé quanto é indiferente à Filosofia. Já negociar já seria – em algum grau – não ser Fé[3].
A Fé, definitivamente, não se submete. Cativo a essa Fé foi que Barth disse: “Minhas experiência pessoal com filósofos é que eles me notaram e, um pouco forçados, me respeitaram na medida em que eu pude dar-lhes uma demonstração prática de que, como teólogo, não me sinto na obrigação de dar satisfações a nenhum deles”.
No máximo, sendo generoso, e tendo-se em mente unicamente o ethos[4] prevalecente no mundo, a Filosofia seria, grosso modo, para alguns poucos, um Aio à Fé[5].
Concedamos, o “Deus” dos filósofos é um ídolo na mesma medida em que não é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Ou seja, na medida em que é o Deus que se Revela, Ele não é uma construção humana. Dele, se pode apreender algo de verdadeiro[6].
Não sem razão, Paulo diz “Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas”. Mas leia-se antes: “Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou”. Ou seja, são apenas “claramente vistos” porque “Deus lhe manifestou”, isto é, revelou-se.
Concede também Barth: “Quando se especula bem, chega-se a idéia de Deus, e a sua pergunta”.
Em Romanos 1.19-20, conquanto que o texto afirme sobre a manifestação do Deus invisível, na Sua criação visível, diz também da insubmissão humana. E esse é o ponto. A insubordinação também é permanecer na insuficiência desse conhecimento, em que estão todos que não acolhem o Dom de Deus.
A razão deve, nessa luz mínima, submeter-se à Fé. E a sua não subordinação é um contenção da verdade (Rm 1.18). Lutero sintetiza: “Em sua esfera legítima, a razão é o mais elevado dom de Deus, mas no momento em que excede para a teologia, torna-se a ‘prostituta do diabo’”.
Os insights são legítimos. É só quando insistem (ou se acomodam) no Deus-Hipótese é que permanece sobre eles a ira de Deus, culpando-os pelo “modo de ser que não aceita a graça de Deus em Jesus Cristo”. É assim – e só assim, que afirmamos um conhecimento natural de Deus[7], que é, também ele, um convite à Revelação de Deus em Cristo, desde sempre exaltado na criação. Não há esse conhecimento ‘natural’, sem este convite. Pois a Revelação de Deus impõe uma subordinação. “Tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus”.
À parte dessa Revelação ativa de Deus, alheios à Palavra, ou sem que se convirja para Jesus Cristo, não há que se falar de conhecimento natural de Deus. Em todo caso, fala-se apropriadamente da insubordinação do que rejeita o conhecimento de Deus.
Especula bem – em sua liberdade, e sem pecado, o que especula sobre o que não alcança. Especular, pois, quando nos é Revelado, é pecar contra a Graça. Posto que claro fica que amam mais as suas construções, que o Deus que É. “Nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” – diz Paulo. E mais profundamente: amando suas construções é que amam a si mesmos. Exaltando-as é que se exaltam. Mostram assim que não é a Deus que buscam. E é por isso que, especulando, não O encontram. Assim estabeleceu Deus. Esbarram no ídolo, e assim o querem. O ídolo é a sua própria elevação, o seu degrau para cima. O homem que é “Deus” de si, diz Barth, “precisa criar o ídolo [para representar a sua criação] pois, elevando o ídolo em honra, honrar-se-à a si mesmo como criador da [tão honrada] imagem [e portanto digno de honra ainda mais alta]”. “Adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador”.
A história da filosofia é a história dessa pretensão humana, mais que em qualquer outra manifestação desta pretensão, religiosa que seja! Ei-la:


Gênesis 11

1    Ora, toda a terra tinha uma só língua e um só idioma.
2    E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e ali habitaram.
3    Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa.
4    Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
5    Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;
6    e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
7    Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro.
8    Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
9    Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra.

Novamente: a história de “Deus” na filosofia é, também, a história da idolatria humana. “Porque pela filosofia sois salvos, por meio da especulação; e isto vem de vós, e não é dom de Deus”.
A 'torre’ é o tamanho da pretensão: “até os céus”. É o diagnóstico do seu quadro geral - não restrito ao dogmatismo filosófico racionalista nem à metafísica. É antes, o pecado original da Filosofia.
Há, em qualquer de suas correntes, uma tentativa ilegítima de extrapolamento e uma projeção pecaminosa: o domínio da verdade. E é um estado pecaminoso que não se cura sendo agnóstico[8]. Sendo, este mesmo, tão filosoficamente pretensioso quanto qualquer dogmático, só que mais convicto, menos honesto, mais indiferentemente preguiçoso, mais um sentir (frustração), do que uma idéia. Tão filha do dogmatismo quanto mostra repugná-lo.
Foi sobre todos estes, o decreto do Altíssimo: “chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra”. De modo que foram condenados a não se entenderem. Uníssono, do areópago, se houve: Legião é meu nome, pois somos muitos.
Não chegaram até o céu, mas não souberam medir bem a distância. De modo que, entre alguns dessas línguas espalhadas, o Projeto Babel nunca morreu.
Em outras regiões, a língua era outra. Não queriam mais construir uma torre para o céu. Ou porque acham que ele não existe, ou porque já acham estar no céu. “Não há o que subir. Não há nada acima”.
É assim que, de qualquer modo, ou com uma torre que nos una ao céu, ou quando o lugar mais alto é aqui, é que “Enfiamo-nos para junto dele [de Deus] atrevidamente e, assim procedendo o projetamos para a nossa proximidade. ... Ouvimos, primeiro, a profecia: ‘Sereis como Deus!’. Depois perdemos o senso do eterno. Primeiramente sobre-elevamos o homem e, em seguida, menosprezamos a distância que nos separa de Deus” (BARTH).
Muitas são as línguas, muitos são os seus céus, muitas são as suas torres[9] (construções metodológicas), mesmo é o pecado. E em nada tudo isso muda o fato de que o céu é sempre mais ali, inalcançável. E Deus, o Totalmente Outro.
Deus permanece Inalcançável. E não observa com neutralidade. Na Grécia, por certo, haveria de ter muitos altares. Deus os confunde[10].
Essa é a ira de Deus: Deus os abandona em suas pretensões. Isto é, Deus se esconde. “Querendo aparecer a descoberto aos que o procuram de todo o coração, e oculto aos que o evitam de todo o coração, tempera seu conhecimento, de sorte que deu marcas de si visíveis aos que o procuram e obscuras aos que não o procuram”(PASCAL).
É Barth quem fala sobre a verdade da limitação e anulação do homem pelo Deus desconhecido: “Ao deparar com a nossa limitação e com o fato de que quem nos cerceia é também quem suprime esse cerceamento, o raciocínio humano, desde a sua forma mais primitiva até a sua forma mais elaborada, cairá, repetidamente, em ‘desesperadora humildade’ e na ‘ironização da inteligência’”. Plutarco, diz, sorrindo, que, em Atenas, havia mais deuses do que homens.
A experiência de Babel deveria ser suficiente para que, de uma vez por todas, se soubesse da descontinuidade entre o divino e o humano. Deus é o Outro, inteira e Totalmente. “Deus é o Deus desconhecido […]. É Deus quem estabelece o relacionamento, não havendo caminho que se dirija da terra para o céu” – diz Barth.
O Deus que inviabiliza os outros caminhos – os nossos próprios, é, Ele mesmo, a Torre até o Céu, o Pontífice[11]. O Inalcançável: à Ele, por fé, pela graça: quando Ele se disponibiliza. Não há outro caminho. Sem Deus, ninguém vai até Deus. Todas as construções da filosofia e das religiões são pontes e torres destinadas ao não-céu.
"O conteúdo da Bíblia não é constituído de modo algum pelos corretos pensamentos humanos a respeito de Deus, porém pelos exatos pensamentos de Deus a respeito do ser humano. Na Bíblia não consta como nós devemos falar de Deus, porém o que ele nos diz, não como nós encontramos o caminho até ele, mas como ele encontrou o caminho até nós" (BARTH). 
“A Deus ninguém o viu jamais: o Filho único, que está no seio do Pai, Ele nos revelou” (Jo. 1,18). Jesus Cristo é Deus em sua manifestação ao ser humano. “Ao falarmos de Deus, nós precisamos imediatamente pensar em Jesus Cristo. Sem o qual Deus seria um outro, um Deus estranho; de acordo com o conhecimento cristão, ele nem seria Deus.” (BARTH).         



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[1] Ou um caminho do Caminho? Ou o melhor caminho do Caminho?
[2] Alguns Pais, muito apropriadamente, defenderam a Fé de algumas acusações consideráveis (como a de imoralidade). Outros, comprometeram-se com àquilo para o qual não ser indiferente, já é errar.
[3] Isso tem muito pouco haver com o que a Filosofia se pretende dona da patente. Por exemplo: a razão humana.
[4] Espécie de síntese dos costumes, um valor de identidade social.
[5] Como a Lei foi para a Graça.
[6] Não independentemente de Deus.
[7] Sem autonomia, com protagonismo do Deus Soberanamente Livre para se Revelar pelos meios que julgar que deve, e, enfatizando-O como Agente indissociável da Revelação: qualquer que seja.
[8] Na falta de luz, o agnosticismo é até justificável e não pecaminoso. Porém, quando Deus revela-se, não se pode dizer ainda: “não posso saber”. Isso também é rejeitar a Graça.
[9] Meio de se alcançar o “céu”.
[10] Um “Deus” segue-se a outro. É concebido, e já não é. A mente humana diz se ele existe ou não. É conceitual. É demonstrável. É provado. É defensável. É o melhor da mente, isto é, o melhor que, em nosso pecado, produzimos. Este não é “O” Outro, é “Um” Outro, um ídolo.
[11] Construtor de pontes.