terça-feira, 6 de dezembro de 2011

POR DO SOL






POR DO SOL

- Um Salmo ao Sol da Justiça (Malaquias 4:2)



Estrela cuja intensa luz,
É a grande causa dos meus dias.
E cuja ausência é, sob todos os aspectos, uma noite insuperável.

Confuso é que leio que “ascendestes”,
Deixando aqueles que viram tão grandiosa graça,
De olhos “fitos no céu".

Olhos que O buscavam,
Olhos da saudade!
Olhos que filmavam um Poente.
Um que se sabe, não tornará no dia seguinte.
Um raro.

Era o Sol da Justiça que desaparecia do alcance do olhar...
Nunca recebemos tanta luz!
Nunca foi “dia” tão pleno dia!

Como queriam fazer durar,
O grande espetáculo que aos seus olhos encantava!
Como queriam que ficasse, ó Grande Astro!

Como o sol que se demora a se pôr,
Prolongas ao máximo a presença dos Teus raios de luz.
Não Te perdem de vista, e dura-lhes mais.

Na noite de Tua ausência viam estrelas outras,
Pequenas claridades, pontos claros de quadro muito escuro.
Só Tua luz faz deixar de ser noite!

Na força dos Teus raios luminosos,
Não só vences as trevas, como também ofuscas falsos astros.
Perto de Ti, não há outras luzes!

Sais da Tua distância,
E alcança-me na força da Tua duração.
Deixes de novo o céu do espaço,
E ilumina os céus dos meus olhos.
Nasce outra vez, ó Estrela da manhã!
E trás consigo a alegria do dia!

Assim, em espetáculo, Te despedistes...

Pra onde fostes, ó Luz da minha vida?
Fostes fazer dia onde ele não é preciso?
Fostes levar luz, onde luz não falta?
Onde trevas não há?
Onde a glória é a luz?

Pai das luzes,
Luz de luz!
Luz que “brilhou por trás do sol; o sol não foi bastante ardente para penetrar onde a luz pôde fazê-lo”.

O que vejo quando fito o céu azul, senão o azul da Tua falta?
Mas não nos abandonastes como quando em trevas não Te víamos.
Ainda resta claridade, luz na Tua lembrança.
Como esquecer-Te?
Como, se há saudade?

Como Paulo que cego ficou, intensa foi a luz,
Assim, demora-Te a dissipar-se nos olhos nossos
A luz que por segundos vimos
Já longe, ainda vemos a Tua clareza!
Luz que perdura na alma, lembrança que não cessa.

Víamos, mas mostrou-nos cegos.
Já não te víamos, e enxergávamos.
A Tua luz deixastes em nós,
Nos olhos que O contemplaram.

Buscando algum sinal no céu, os discípulos advertidos foram,
Pra acharem o sinal em si mesmos.
Ficastes na marca que nos deixastes, ó Luz que nos faz luz!

Ó Deseclipse, não demore!

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