domingo, 25 de março de 2012

POR QUE ORAR?




“Os crentes não oram com a intenção de informar a Deus a respeito das coisas que ele desconhece, ou para incitá-lo[1] a cumprir o seu dever, ou para apressá-lo, com se ele fosse relutante. Pelo contrário, eles oram para que assim possam despertar-se e buscá-lo, e assim exercitem sua fé na meditação das suas promessas, e aliviem sua ansiedades, deixando-as nas mão dele; numa palavra, oram com o fim de declarar que sua esperança e expectativa das coisas boas,  para eles mesmos e para os outros, está só nele” [John Calvin, Commentary on a Harmony of the Evangelists, Mattew, Mark, and Luke, Grand Rapids, Michigan, Baker Booh House, 1981 (reimpresso), p. 314]



[1] Incitar.: 1 Impelir, mover; 2 Estimular; 3 Desafiar, provocar. (Moderno Dicionário da Língua Portuguesa)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Amor Eterno e Eterno Amor



Com amor eterno te amei, com benignidade te atraí”
Jeremias 31.3

Amor eterno, existe um amor que não o seja? Ou não é a eternidade uma qualidade do amor?

Há amor, que sendo, pode não mais ser?

É, pois, próprio, dizer: amei e já não mais amo?

Amor passageiro, amor que se desama, é mesmo amor?

‘Amor eterno’ e ‘amor’, não são um termo só?

O que quer dizer o texto quando diz ‘com amor eterno te amei’? Amor que sempre foi e, sendo assim – por propriedade do eterno, sempre será?

Pode um amor que tem início, ser eterno? Ou, de outra forma: o amor eterno, não tendo fim, pode ter um início?

O amor eterno é um amor que se ama na eternidade, desde a eternidade?

É só no eterno, não também no tempo, que se ama esse amor que não finda?

Pode o coração, fruto do tempo, inconstante no tempo, mudando com o tempo, amar esse amor que é eterno?

Amaria um Ser Eterno, mais: um Ser que é amor, com um amor que não fosse, também, eterno?

É o amor eterno, apenas o amor amado por um Ser Eterno? Ou pode um ser finito, amar um amor com a densidade do sempre?

Sendo Eterno o Deus que é amor, não se segue daí, necessariamente, que também o amor é eterno?

E sendo Deus mesmo, o amor, ama-se, pois, sem nEle amar?

Ou como amar com amor que também não seja Ele, sendo Ele amor?

Se dEle não podemos ser, sem com o amor que Ele é, amarmos, podemos nós amarmos sem dEle sermos?

E não amando nós sem Ele, como, como Ele não amarmos um amor que não seja também eterno?

Que amor, pois, que amamos que do Amor não provenha?

Amamos, pois, esse amor ‘eterno amor’?

Finitos: não amamos para sempre.

Imperfeitos: não amamos o perfeito amor, que é eterno.

Como, pois, é que amamos o eterno amor?

Como, pois, não amá-lo? Se a Deus só se ama o amor que dEle provém, que nEle é?

De onde vem a constância deste amor com que amamos, se não dEle, o Eterno?

Finitos, nAquele que não tem fim, amamos sem fim, enquanto nEle.

Com amor eterno, fomos amados. Não um amor que acaba. Mas um que permanece. Esse amor sustenta-nos em sua eternidade. Pois o amor não pode amar o que não mais é. Quando o Eterno ama, faz ser. E se ama eternamente, Ele mantém.

Com amor eterno, fomos amados: assim, o amor eterno cabe no peito.

Com amor eterno, do Eterno – que é amor, fomos amados. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

DEUS na sarça da DOR


       “Ó Deus mui misericordioso, que aperfeiçoas os teus próprios propósitos, desde as primeiras dores desta minha enfermidade, tu vens me lembrando de que um dia morrerei. À medida que a doença assediava o meu corpo, tu me fizeste lembrar de que eu poderia morrer a qualquer hora. 
       Com os primeiros sintomas, tu me acordaste. Continuei a sofrer e isto fez com que eu me prostrasse e evocasse o teu santo nome
       Tu me vestiste com o teu eu ao despir-me do meu ego
   Embotando os meus sentidos para os apetites e prazeres deste mundo, tu estimulaste os meus sentidos espirituais para a compreensão de ti. À medida que o meu corpo se decompõe, Senhor, minha alma é enaltecida em tua direção. Apressa o ritmo deste processo. Meu paladar não desapareceu, apenas sentou-se à mesa de Davi para saborear, e para ver, "que o Senhor é bom". Meu estômago ascendeu à ceia do Cordeiro com os santos no céu. 
     Meus joelhos estão enfraquecidos, tão fracos que me ajoelho facilmente e apóio-me em ti... 
       E, ó Deus, que apareceste em chama de fogo na sarça ardente, aparece, eu te peço, no meio das sarças e espinhos de minha cruel enfermidade, de maneira que eu possa ver-te e reconhecer-te como o meu Deus, dirigindo-se a mim, mesmo nestes dias lancinantes e espinhosos. 
       Atende-me, ó Senhor, por amor do teu Filho, que não deixou de ser o Rei dos céus pelo fato de tu permitires que ele sofresse ao ser coroado com os espinhos deste mundo.” 

JOHN DONNE

domingo, 18 de março de 2012

A ilusão da religião


Trecho da mensagem - A ilusão da religião, por Ed René Kivitz, no domingo, 11 de Março de 2012. [05 - Não Me Envergonho do Evangelho]