quarta-feira, 21 de março de 2012

Amor Eterno e Eterno Amor



Com amor eterno te amei, com benignidade te atraí”
Jeremias 31.3

Amor eterno, existe um amor que não o seja? Ou não é a eternidade uma qualidade do amor?

Há amor, que sendo, pode não mais ser?

É, pois, próprio, dizer: amei e já não mais amo?

Amor passageiro, amor que se desama, é mesmo amor?

‘Amor eterno’ e ‘amor’, não são um termo só?

O que quer dizer o texto quando diz ‘com amor eterno te amei’? Amor que sempre foi e, sendo assim – por propriedade do eterno, sempre será?

Pode um amor que tem início, ser eterno? Ou, de outra forma: o amor eterno, não tendo fim, pode ter um início?

O amor eterno é um amor que se ama na eternidade, desde a eternidade?

É só no eterno, não também no tempo, que se ama esse amor que não finda?

Pode o coração, fruto do tempo, inconstante no tempo, mudando com o tempo, amar esse amor que é eterno?

Amaria um Ser Eterno, mais: um Ser que é amor, com um amor que não fosse, também, eterno?

É o amor eterno, apenas o amor amado por um Ser Eterno? Ou pode um ser finito, amar um amor com a densidade do sempre?

Sendo Eterno o Deus que é amor, não se segue daí, necessariamente, que também o amor é eterno?

E sendo Deus mesmo, o amor, ama-se, pois, sem nEle amar?

Ou como amar com amor que também não seja Ele, sendo Ele amor?

Se dEle não podemos ser, sem com o amor que Ele é, amarmos, podemos nós amarmos sem dEle sermos?

E não amando nós sem Ele, como, como Ele não amarmos um amor que não seja também eterno?

Que amor, pois, que amamos que do Amor não provenha?

Amamos, pois, esse amor ‘eterno amor’?

Finitos: não amamos para sempre.

Imperfeitos: não amamos o perfeito amor, que é eterno.

Como, pois, é que amamos o eterno amor?

Como, pois, não amá-lo? Se a Deus só se ama o amor que dEle provém, que nEle é?

De onde vem a constância deste amor com que amamos, se não dEle, o Eterno?

Finitos, nAquele que não tem fim, amamos sem fim, enquanto nEle.

Com amor eterno, fomos amados. Não um amor que acaba. Mas um que permanece. Esse amor sustenta-nos em sua eternidade. Pois o amor não pode amar o que não mais é. Quando o Eterno ama, faz ser. E se ama eternamente, Ele mantém.

Com amor eterno, fomos amados: assim, o amor eterno cabe no peito.

Com amor eterno, do Eterno – que é amor, fomos amados. 

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