domingo, 30 de setembro de 2012

Adultos e os Contos de Fada








Hoje em dia, a crítica moderna usa o adjetivo "adulto" como marca de aprovação. Ela é hostil ao que denomina "notalgia" e tem absoluto desprezo pelo que se chama de "Peter Panteísmo". Por isso, em nossa época, se um homem de cinqüenta e três anos admite ainda adorar anões, gigantes, bruxas e animais falantes, é menos provável que ele seja louvado por sua perpétua juventude do que seja ridicularizado e lamentado por seu retardamento mental.

Quando eu tinha dez anos, eu lia contos de fadas escondido e ficava envergonhado quando me pilhavam. Hoje em dia, com cinqüenta anos, leio-os abertamente. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino, inclusive o medo de ser infantil e o desejo de ser muito adulto...

A visão moderna, a meu ver, envolve uma falsa concepção de crescimento. Somos acusados de retardamento porque não perdemos um gosto que tínhamos na infância. Mas, na verdade, o retardamento consiste não em recusar-se a perder as coisas antigas, mas sim em não aceitar coisas novas. Hoje gosto de vinho branco alemão, coisa de que eu tenho certeza de que não gostaria quando criança; mas não deixei de gostar de limonada. Chamo esse processo de crescimento ou desenvolvimento, porque ele me enriqueceu: se antes eu tinha um único prazer, agora tenho dois. Porém, se eu tivesse de perder o gosto por limonada para admitir o gosto pelo vinho, isso não seria crescimento, mas simples mudança. Hoje em dia já não gosto somente de contos de fadas, mas também de Tolstói, Jane Austen, Trollope, e chamo isso de crescimento; se tivesse precisado deixar de lado os contos de fadas para apreciar os romancistas, não diria que cresci, mas que mudei.


C. S. Lewis, criador das crônicas de Nárnia, em: Três maneiras de escrever para crianças.

sábado, 29 de setembro de 2012

Quando As Crianças Fazem Uau





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Quando as crianças fazem uau! Tem um ratinho
Quando as crianças fazem uau! Tem um cachorrinho...
Tem uma coisa que eu sei
que nunca mais irei rever é
um lobo mau que dá um
beijinho num carneirinho...
E as crianças fazem ei! me
dá a mão porque me deixa
só? sem ajuda de ninguém
sem qualquer um, ninguém
pode virar um homem
uma boneca ou robô
talvez briguem um pouco
mas com um dedinho em alta voz ao menos eles, é, fazem as pazes
E cada coisa nova é uma surpresa
até quando chove e as crianças fazem uau!
olha que chuva!
Quando as crianças fazem uau!
Que maravilha!
Que maravilha!
Mas que bobo veja só.
Olha só, eu me envergonho um pouco.
Já não sei mais fazer "uau!"
e fazer tudo como eu quero.
porque as crianças falam sempre, falam tudo, tudo que pensam.
As crianças são muito sinceras mas têm tantos segredos,
como poetas e as crianças vão contar
fantasias e com poucas mentiras
oh mamma mia,bada.
Mas tudo é claro e transparente quando um adulto chora as crianças fazem
"Ei! você fez um dodói, a culpa é tua!
Quando as crianças fazem uau!
que maravilha, que maravilha!
Mas que bobo veja só.
Olha só, eu me envergonho um pouco,
Já não sei mais fazer "uau!"
não brinco mais numa gangorra,
Não tenho a chave que abre a porta dos nossos sonhos...
Lá, lá, lá, lá, lá...
Enquanto os chatos fazem éh!
Enquanto os chatos fazem ah!
Enquanto os chatos fazem bôo!
tudo fica igual
Mas se as crianças fazem uau!
Ei, basta uma vogal.
Eu me envergonho um pouco e os adultos fazem não!
Eu peço abrigo, eu peço abrigo, como os leões eu
quero andar engatinhando
Cada um é perfeito e iguais na cor
E viva os loucos que perceberam o que é amor !
É tudo uma história de estranhas palavras que eu não entendo...
Quero voltar a fazer uau!
Quero voltar a fazer uau!
porque as crianças falam sempre, falam tudo, tudo que pensam.