domingo, 30 de junho de 2013

ONDAS






Há algum mistério na eterna disposição do mar de estirar-se incansavelmente sobre a areia. 

O mar se espreguiça e assim formam-se as ondas. 

Ninguém faria tanto do mesmo senão por diversão. 

Naquela repetição há um mistério que espanta a monotonia: as ondas brincam. 

Quando as ondas aportam, o mar estica suas mãos – e aí começa sua arte. 

É arte de relance. E a areia é tinta de muitos quadros.

Os homens conservam suas melhores obras. 

Cultivam, e, por não muito mais, as cultuam. 

O belo é raro, e deve ser preservado! 

Por isso não há arte que não seja sacra. 

Mas as obras das ondas são boas porque logo acabam. 

São obras de areia e obras ao vento. 

Mas o que é arte vale ser refeito. 

O mar aprendeu antes dos homens: é belo também porque é breve. 

A arte não é preservação, a arte é uma brincadeira.

A alegria em se construir um castelo de areia, deve ser uma alegria muito sólida. 

Uma alegria que os homens hão de aprender das ondas.

Há nas ondas um renovo: um abrir e fechar de cortinas. 

Como o dia de criança: em que cada sol que nasce inaugura uma nova aventura nos mesmo cenários.

As ondas sabem dos ciclos. 

E, por isso, são capazes de se alegrar na repetição. 

Ondas vêm, e ondas vão. 

Sempre, e mais uma vez. 

Ondas e ondas. Maiores e menores. Elas competem! 

Mas há uma leveza... como em uma brincadeira na qual quem perde também se diverte.

Às vezes, há calma: mas nem sempre é noite. 

Quando o mar se recolhe, ficam formas inacabadas. 

É a hora do vento. Ele sopra sobre as areias. 

E a tinta agora dança. 

E o vento é quem dava a música à toda aquela alegria.